
O Brasil perdeu, no dia 12 de maio de 2025, um dos maiores nomes da música erudita: o maestro Ernst Mahle. Compositor, regente e educador, Mahle dedicou mais de 70 anos à formação musical e à difusão da música clássica no país. Sua trajetória se confunde com a história da Escola de Música de Piracicaba (EMP), instituição que fundou e que hoje leva seu nome.
Nascido em Stuttgart, Alemanha, em 3 de janeiro de 1929, Mahle chegou ao Brasil em 1951, trazendo consigo um profundo conhecimento musical e o desejo de contribuir para a cultura brasileira. Naturalizou-se brasileiro em 1962 e, três anos depois, recebeu o título de Cidadão Piracicabano, em reconhecimento ao seu impacto na cidade.
Ao longo de sua carreira, Mahle estudou com grandes nomes da música mundial, como Johann Nepomuk David, Hans Joachim Koellreutter, Olivier Messiaen e Rafael Kubelik. Sua formação internacional lhe permitiu desenvolver uma linguagem musical única, que mesclava rigor técnico e sensibilidade artística.
Em 1953, ao lado de sua esposa Maria Apparecida Romera Pinto (Cidinha), Mahle fundou a Escola de Música de Piracicaba, que se tornaria um dos principais centros de ensino musical do Brasil. Na instituição, exerceu as funções de diretor artístico, professor e maestro, formando gerações de músicos que hoje atuam no Brasil e no exterior.
A EMP se destacou por seu método de ensino inovador, que valorizava tanto a técnica quanto a expressão artística. Mahle acreditava que a música deveria ser acessível a todos e, por isso, dedicou-se à criação de peças voltadas para estudantes, permitindo que jovens músicos desenvolvessem suas habilidades de forma progressiva.
Com um catálogo que ultrapassa 2 mil obras, Mahle transitou por diversos gêneros musicais, incluindo música de câmara, concertos solistas, corais, obras sinfônicas e óperas. Entre suas composições mais conhecidas estão:
Suíte Nordestina – Uma homenagem à música popular brasileira, com influências do folclore nordestino;
Divertimento Hexatonal – Uma peça que explora sonoridades modernas e técnicas avançadas de composição;
Óperas como “A Moreninha”, “O Garatuja” e “Isaura” – Inspiradas na literatura brasileira, reforçando seu compromisso com a cultura nacional.
Mahle também foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea e membro da Academia Brasileira de Música, consolidando sua importância no cenário musical brasileiro.
Além de sua contribuição como compositor e educador, Mahle foi um defensor da música brasileira, promovendo a valorização de compositores nacionais e incentivando a criação de repertórios que dialogassem com a identidade cultural do país. Seu trabalho influenciou diretamente músicos como André Micheletti, que hoje atua como professor e diretor artístico associado da Orquestra Sinfônica de Piracicaba.
A morte de Ernst Mahle representa uma grande perda para a música brasileira, mas seu legado permanece vivo na Escola de Música de Piracicaba, nas suas composições e na formação de músicos que seguem sua filosofia de ensino e criação.
Mahle continua sendo homenageado por sua contribuição à música erudita no Brasil e no mundo. Recentemente, a Orquestra Sinfônica de Piracicaba (OSP) anunciou um concerto especial em sua memória, que será realizado no Teatro Municipal Dr. Losso Netto, em Piracicaba, no dia 25 de maio. O evento contará com a execução de algumas de suas obras mais icônicas, incluindo a Suíte Nordestina e trechos de suas óperas.
Além disso, a Academia Brasileira de Música confirmou que Mahle será incluído em um projeto de preservação de partituras históricas, garantindo que suas composições sejam acessíveis a futuras gerações de músicos e pesquisadores.
O futuro da Escola de Música de Piracicaba após a partida de Ernst Mahle

Com a recente perda do maestro Ernst Mahle, fundador da Escola de Música de Piracicaba (EMP), a comunidade musical e cultural da cidade se mobiliza para garantir a continuidade do legado deixado por ele. A instituição, que há mais de 70 anos forma músicos e promove a música erudita no Brasil, enfrenta desafios e oportunidades para manter sua relevância e excelência no ensino musical.
Fundada em 1953, a Escola de Música de Piracicaba se tornou referência nacional no ensino da música, formando talentos que atuam no Brasil e no exterior. Com um corpo docente altamente qualificado e uma estrutura que inclui salas de aula, salas de concertos e uma das mais completas musicotecas do país, a EMP desempenha um papel fundamental na preservação e difusão da música clássica.
Após o falecimento de Mahle, a direção da escola e autoridades locais discutem estratégias para garantir a continuidade das atividades. Algumas das medidas em análise incluem:
Ampliação de parcerias com instituições culturais e universidades para fortalecer o ensino e a pesquisa musical;
Criação de novos cursos e programas voltados para a formação de músicos e educadores;
Reformas na estrutura física da escola para modernização dos espaços de ensino e prática musical;
A Orquestra Sinfônica de Piracicaba e ex-alunos da EMP estão organizando concertos e campanhas de arrecadação para apoiar a escola. Além disso, há um movimento para que a instituição receba mais investimentos públicos e privados, garantindo sua sustentabilidade a longo prazo.
A Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle (Empem) enfrentou desafios devido à crise da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), que entrou em recuperação judicial para pagamento de dívidas. O prédio da Empem, que pertence ao Instituto Educacional Piracicabano (IEP), chegou a ser listado no plano de venda de imóveis da Rede Metodista, gerando preocupação na comunidade musical.
Apesar da incerteza, a escola continua funcionando e mantém suas atividades de ensino e formação musical. Houve mobilização de alunos, professores e ex-alunos para evitar a venda do prédio, incluindo concertos públicos e abaixo-assinados.
A direção da Empem segue sob o comando de gestores ligados ao Instituto Educacional Piracicabano, mas ainda há discussões sobre o futuro da instituição e possíveis mudanças na administração.