Programa estadual amplia acesso ao estágio remunerado para alunos do Ensino Médio Técnico

Durante muito tempo, o roteiro parecia imutável: terminar o Ensino Médio, torcer por uma vaga, ouvir vários “ligamos depois” e só então pensar no primeiro emprego. Em São Paulo, esse script começa a ser reescrito — e bem antes da formatura. O Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM) vem transformando a escola em porta de entrada para o mundo do trabalho e promete alcançar 30 mil estudantes estagiando até 2026.

Criado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Educação (Seduc-SP), o programa conecta alunos do Ensino Médio Técnico a empresas paulistas, oferecendo estágio remunerado ainda durante a formação escolar. O resultado é um empurrão real para quem sempre ouviu que “experiência” era pré-requisito até para começar. Só em investimentos, o Estado já aplicou R$ 20,8 milhões na iniciativa.

Até o início de dezembro, mais de 2.900 empresas já haviam aderido ao BEEM. A expectativa é fechar 2025 com cerca de 10 mil estudantes contratados e, no ano seguinte, triplicar esse número. Não é exagero dizer que o estágio deixou de ser exceção para virar política pública estruturada.

O programa é voltado a estudantes da 2ª e 3ª séries do itinerário de formação técnica profissional, com idade mínima de 16 anos, frequência escolar igual ou superior a 85% e participação no Provão Paulista Seriado no ano anterior à seleção. As bolsas variam de R$ 422,03 a R$ 851,46, conforme a carga horária e o curso escolhido. Nos primeiros seis meses, o pagamento é feito pela Seduc-SP, que também garante seguro contra acidentes pessoais. Depois desse período, a contratação pode ser assumida diretamente pela empresa parceira.

Para quem acha tudo isso distante da realidade, a história de Ana Clara Silva Santana, de 18 anos, ajuda a colocar o BEEM no chão da escola. Aluna do curso técnico de vendas, ela estagiou por seis meses na empresa ScanSource, na capital paulista, e acabou permanecendo no mercado como jovem aprendiz.
“A Ana Clara de um ano atrás achava que era impossível sair do Ensino Médio com um trabalho. Eu não imaginava que teria esse futuro ou que entenderia tão bem o mercado de trabalho. Se não fosse o BEEM, eu não teria passado por tudo isso”, conta a estudante, que agora já pensa com mais clareza nos próximos passos da carreira.

E o BEEM não se limita às empresas. O programa também aposta na força da própria escola com o Aluno Monitor do BEEM, que seleciona estudantes com bom desempenho em língua portuguesa e matemática para ajudar colegas na recomposição da aprendizagem. Nesse formato, as bolsas variam de R$ 296,16 a R$ 555,30, de acordo com a carga horária semanal.

Atualmente, cerca de 7.500 alunos atuam como monitores, número que deve chegar a 13 mil em 2026. O investimento nessa frente já soma R$ 26,6 milhões, reforçando a ideia de que aprender e ensinar podem caminhar juntos — e com incentivo financeiro.

 

BEEM deve alcançar 30 mil beneficiados e triplicar contratações em 2026 – Foto: Divulgação

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