Trabalhar o dia inteiro, cuidar da casa, dos filhos, dos boletos — e ainda estudar. Durante décadas, essa equação parecia impossível para milhares de jovens e adultos que ficaram pelo caminho escolar. A partir de 2026, o Estado de São Paulo promete mexer nesse jogo ao ampliar o Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com um modelo que aposta em presença flexível, autonomia e menos rigidez.
A Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP) vai abrir 88 novas escolas com esse formato, somando 108 unidades espalhadas pela capital, região metropolitana e interior. Todas funcionam exclusivamente no período noturno e atendem estudantes a partir dos 18 anos. Esse grupo se junta às 43 unidades dos CEEJAs, que já operam com a mesma lógica e agora totalizam 151 escolas com ensino mais adaptado à vida real de quem precisa conciliar estudo, trabalho e família.
A principal mudança está na forma de aprender. No modelo de presença flexível, o estudante não segue um caminho engessado. Ele pode montar seu próprio percurso, começando pelas disciplinas com mais afinidade ou maior necessidade. Com apoio de roteiros de estudo e acompanhamento dos professores, avança no seu ritmo, faz avaliações, consolida o aprendizado e só então segue para novos componentes curriculares.
As escolas oferecem dois itinerários de aprofundamento, garantindo escolha e diversidade. Quem opta pela Matemática encontra percursos com foco em competências práticas e temas aplicados previstos no Currículo Paulista. Já o itinerário de Linguagens e suas tecnologias aposta em uma leitura crítica do mundo contemporâneo, integrando conhecimentos de linguagens, sociologia, geografia e áreas afins.
A metodologia também foge do padrão tradicional. O ensino é mais individualizado, com projetos, oficinas, atividades presenciais e diferentes formas de avaliação. Em cada disciplina, o estudante passa por quatro avaliações processuais e uma final, com intervalo mínimo de três dias letivos entre elas — uma tentativa clara de reduzir a pressão e aumentar o acompanhamento real da aprendizagem.
Nos CEEJAs, além do Ensino Médio, também há oferta do Ensino Fundamental II, do 6º ao 9º ano. Em ambas as etapas, é possível aproveitar estudos anteriores. Quem não tem histórico escolar não fica de fora: a escola aplica avaliações diagnósticas para identificar o nível de conhecimento do candidato.
As matrículas para 2026 podem ser feitas em qualquer escola estadual ou no Poupatempo, com apresentação de RG, histórico escolar e comprovante de residência. O cadastro também está disponível de forma virtual pela plataforma da Secretaria da Educação.
Para quem prefere um formato mais tradicional, a EJA de presença regular continua existindo em cerca de 600 escolas estaduais. Nesse modelo, as aulas seguem encontros coletivos, com classes organizadas e acompanhamento contínuo. A convivência dos dois formatos amplia o acesso e permite que jovens, adultos e idosos escolham o caminho que melhor se encaixa em suas rotinas.
No fim das contas, a mensagem é clara: voltar a estudar não precisa mais significar abrir mão da vida que já está em andamento. Em São Paulo, a escola começa, cada vez mais, a aprender com quem aprende.

Em 2026, São Paulo amplia a oferta da EJA com o modelo de presença flexível, levando mais autonomia aos estudantes e ampliando o acesso ao Ensino Fundamental II e ao Ensino Médio em diferentes regiões do estado – Foto: Governo do Estado de SP