Rede estadual de SP alcança maior índice de frequência escolar desde 2023

Presença dos alunos chega a 91,1% em novembro e registra 258 mil estudantes a mais em sala de aula todos os dias.

Quem diria que, em plena era do celular vibrando sem parar, da evasão escolar como fantasma constante e da pergunta “pra que isso vai servir na minha vida?”, a rede estadual de São Paulo bateria um recorde histórico de frequência? Pois bateu. Novembro fechou com a melhor marca desde o início das medições, em fevereiro de 2023, e um dado chama atenção: 258 mil alunos deixaram de faltar às aulas todos os dias. Não é força de expressão. São carteiras ocupadas, salas mais cheias e menos cadeiras vazias encarando o professor.

O salto é expressivo. A frequência média, que era de 82,5% em 2023, chegou a 91,1% entre os quase 3 milhões de estudantes distribuídos em cerca de 5 mil escolas estaduais. Na prática, quase dez pontos percentuais a mais de alunos presentes diariamente. Um número que muda o clima da escola e, principalmente, o futuro de muita gente.

Para o secretário estadual da Educação, Renato Feder, o segredo não está em discursos moralistas ou broncas genéricas. A lógica foi outra: tornar a escola mais interessante. Ampliação do Ensino Médio Técnico, criação do programa BEEM (Bolsa Estágio Ensino Médio) e inclusão de disciplinas como educação financeira, oratória e empreendedorismo ajudaram a dar mais sentido ao tempo passado em sala. “Você não convence o aluno a ir para a escola. Você precisa fazer com que ele veja valor em estar ali”, resume Feder.

Esse acompanhamento mais de perto só foi possível com o uso de tecnologia. Desde 2023, a Seduc-SP monitora diariamente a presença dos alunos por meio da ferramenta Aluno Presente, alimentada pelos diários de classe. Em tempo real, a Secretaria consegue enxergar onde estão os maiores desafios — por região, escola ou até turma — e agir antes que a falta vire abandono.

Os números mostram que a virada não aconteceu do dia para a noite. Em novembro de 2024, a frequência já havia subido para 86,4%, com 117 mil alunos a mais em sala todos os dias em comparação ao ano anterior. A escalada continuou em 2025 e consolidou um novo padrão.

Quando se olha para o ano inteiro, o cenário também melhora. Em 2025, 129 mil alunos deixaram de faltar às aulas em relação a 2023, elevando a frequência anual de 81,7% para 86%. Em 2024, esse índice já havia chegado a 84,1%. Ano após ano, menos faltas, mais presença e mais chances reais de aprendizagem.

Parte desse avanço passa pela chamada Busca Ativa, que ganhou regras mais rígidas em 2023. Três faltas consecutivas já acendem o alerta e disparam o contato com a família. O acompanhamento é individualizado, com atualização cadastral bimestral, monitoramento diário e diálogo constante com responsáveis. A ideia não é punir, mas puxar o aluno de volta antes que ele desista de vez.

Na prática, isso muda histórias. Em Campinas, Pietro Luan de Alvarenga, de 15 anos, terminou o Ensino Fundamental com 86% de frequência depois de trocar de escola. Antes, faltava para ficar com os amigos. Ao se transferir, encontrou acolhimento, apoio dos professores e outro olhar sobre a escola. “Hoje vejo que estudar é uma grande oportunidade”, diz o aluno, que segue para o Ensino Médio levando a lição — e a presença — na bagagem.

Na zona leste da capital, Gabriel de Castro Fanti, de 14 anos, vivia dividido entre os estudos e o sonho de ser jogador de futebol. Treinava, jogava por quatro times e acumulava faltas. A Busca Ativa entrou em campo, uniu escola e família e colocou limites claros. Resultado: 91% de frequência em 2025, mudança de foco e até medalha na Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais. “Aprendi que a vida precisa de plano B”, resume o estudante, que agora cogita seguir na área de tecnologia.

As famílias também passaram a ter um papel mais ativo. Pelo aplicativo Sala do Futuro, pais e responsáveis conseguem acompanhar frequência, justificar faltas, conferir notas, calendário escolar e tarefas pendentes. Desde o lançamento, em março de 2025, cerca de 580 mil responsáveis já acessaram a plataforma, transformando o acompanhamento escolar em algo mais próximo do dia a dia — e menos surpresa no fim do bimestre.

 

Resultado reforça a importância do acompanhamento diário e do engajamento das famílias – Foto: Divulgação

Colunistas

Setor: Opinião

Setor: Piracicaba Comenta

Setor: Cultura

Setor: Opinião

relacionados