Se você já deu um beijo distraído num “bebê” no colo de alguém e levou um susto ao descobrir que ele não respirava, calma! Provavelmente você cruzou com um bebê reborn, as bonecas hiper-realistas que vêm conquistando fãs pelo mundo todo (e pregando peças nas visitas desavisadas).
Mas não pense que estamos falando de qualquer brinquedinho de plástico. Os reborns são quase gente. Quase mesmo. O corpo pode ser de tecido macio ou vinil de silicone, mas o toque engana. Já os bracinhos e perninhas são geralmente feitos de vinil siliconado, um material tão realista que dá vontade de passar talco.
Os cabelos são implantados fio a fio, com mohair, sim, cabelo de cabra angorá ou até mesmo cabelo humano. Isso mesmo, o reborn pode ter mais cabelo que muito bebê verdadeiro por aí (e mais paciência pra pentear, diga-se de passagem).
E não é só no visual que o bebê engana. Eles têm peso realista, graças a um recheio que mistura microesferas de vidro e pellets de silicone. Pegou no colo? Sentiu o peso? Pois é. Só falta pedir colo e mamadeira.
A pintura é uma arte à parte: feita em camadas, ela imita com maestria os tons de pele, veinhas sutis, unhas delicadas, dobrinhas de gordurinha e até aquelas manchinhas que deixam qualquer bebê com cara de “cheguei ontem ao mundo”.
E se você acha que acabou por aí, prepare-se: algumas versões vêm com mecanismos que simulam respiração, batimentos cardíacos e até choros e risadinhas. Ou seja, é possível ter o “pacote completo” da maternidade, sem fraldas sujas.
Apesar da aparência assustadoramente real, os bebês reborn têm um lugar muito especial no coração de colecionadores, artistas e até em terapias com idosos. Para muitos, é mais que um boneco, é uma forma de carinho, expressão artística e até afeto maternal.
No fim das contas, eles podem não crescer, nem fazer birra no supermercado, mas também nunca vão dizer “eu te odeio!” na adolescência. E isso, convenhamos, já é uma grande vantagem.
O movimento reborn surgiu na década de 1990, principalmente nos Estados Unidos e Europa, como uma evolução de bonecas de vinil realistas que já existiam. Com o tempo, artistas começaram a aprimorar essas bonecas com mais detalhes: veias pintadas à mão, cabelos implantados fio a fio, pele com variações de cor, cílios reais, entre outros elementos.
Tem gente que coleciona selos, moedas, carrinhos em miniatura… e tem quem monte um berçário de mentira mais bem equipado que o da maternidade local. Os colecionadores de bebês reborn tratam cada exemplar como uma obra de arte, e convenhamos, com aquele cabelo implantado fio a fio e a pintura que mostra até veinhas, é arte mesmo! Só que, em vez de pendurar na parede, você embala no colo.
Curiosidades
O valor de um bebê reborn pode variar muito: de R$ 300 a mais de R$ 5.000, dependendo do nível de detalhamento e do artista.
Existem comunidades online dedicadas ao compartilhamento, venda e troca de bebês reborn, além de encontros presenciais entre colecionadores.
Muitos “pais reborn” criam perfis nas redes sociais para seus bonecos, com fotos, roupas, diários e acessórios personalizados.
Polêmica
Recentemente, uma reportagem chamou atenção ao mostrar uma mulher levando seu bebê reborn a uma UPA em Minas Gerais. O vídeo viralizou nas redes sociais e dividiu opiniões. A influenciadora, Yasmin Becker, de 17 anos, compartilhou a experiência em que leva seu boneco hiper-realista, chamado Bento, ao hospital, alegando que ele não estava se sentindo bem. Durante a gravação, ela simula momentos de tensão, como pesar o boneco e expressar nervosismo ao acreditar que ele poderia estar com febre. Em tom de brincadeira, Yasmin alimenta o reborn e afirma que ele “recebeu alta” após o “tratamento”.
O vídeo gerou discussões sobre o uso de bebês reborn em ambientes hospitalares. Alguns internautas questionaram o impacto psicológico de tratar um boneco como se fosse um bebê real, enquanto outros defenderam a ação como uma forma de entretenimento inofensivo. Yasmin esclareceu que seus vídeos são fictícios e voltados para o público infantil, sem interferir em sua vida cotidiana.
Esse episódio destaca a crescente popularidade dos bebês reborn e suas diversas finalidades, desde colecionismo até terapias emocionais. Embora sejam bonecos, eles despertam emoções reais e geram debates sobre os limites entre realidade e fantasia.
Nem respiram, mas já estão proibidos: Os reborns barrados na UPA de Juiz de Fora
Um projeto de lei polêmico foi aprovado na Câmara Municipal de Juiz de Fora, Minas Gerais, que proíbe a entrada de bebês reborn em unidades de saúde, como UPAs e hospitais. O projeto gerou controvérsias, especialmente entre colecionadores e profissionais da saúde, devido ao realismo extremo dessas bonecas.
O projeto de lei aprovado em Juiz de Fora proíbe a entrada de bebês reborn em unidades de saúde da cidade. A justificativa para a proposta é evitar confusão e garantir a segurança dos pacientes, principalmente em situações de emergência.
A decisão gerou debates intensos. Colecionadores e defensores do uso terapêutico das bonecas argumentam que a medida é discriminatória e desconsidera os benefícios psicológicos que os bebês reborn podem proporcionar. Por outro lado, profissionais da saúde e autoridades locais defendem a medida como necessária para evitar possíveis transtornos em ambientes hospitalares.
Após a aprovação, o projeto de lei foi vetado pelo prefeito de Juiz de Fora, mas o veto foi mantido pela Câmara Municipal. Portanto, a proibição continua em vigor na cidade.
Sim, a polêmica envolvendo bebês reborn em hospitais não é exclusiva do Brasil. Em outros países, também ocorreram incidentes que geraram debates sobre o uso dessas bonecas realistas em ambientes hospitalares e públicos.
Ocorrências policiais
Em fevereiro de 2024, uma mulher do Reino Unido, que confecciona e vende bebês reborn como hobby, teve sua casa invadida pela polícia. Os oficiais acreditaram que um dos bebês reborn era real e estava em perigo. A polícia arrombou a porta dos fundos da casa, causando danos superiores a £400. Após o incidente, a mulher colocou adesivos nas janelas informando que havia bonecas reborn na residência para evitar confusões futuras.
Em julho de 2008, na Austrália, a polícia quebrou o vidro de um carro acreditando que havia um bebê inconsciente dentro. Ao chegarem, descobriram que era uma boneca reborn extremamente realista. A polícia afirmou que a boneca era “incrivelmente realista” e que os transeuntes, ao pensarem que um bebê estava em perigo, ficaram assustados com o incidente.
Em 2019, um casal da Pensilvânia usou uma boneca reborn para simular uma gravidez e a morte de um bebê, criando uma campanha de arrecadação de fundos no GoFundMe. Eles alegaram que o bebê faleceu de insuficiência respiratória horas após o nascimento. A fraude foi descoberta quando a melhor amiga da esposa começou a suspeitar e denunciou o caso à polícia.
Lojas de departamento britânicas, como a Harrods, recusaram-se a vender bonecas reborn, alegando que elas eram “demais realistas” e poderiam causar desconforto nos clientes. Alguns colecionadores afirmam que a aparência extremamente realista das bonecas pode gerar reações de repulsa em algumas pessoas, devido ao conceito do “vale da estranheza”, onde objetos muito semelhantes a humanos, mas não exatamente iguais, provocam sensações de desconforto.
Esses incidentes mostram que a presença de bebês reborn em locais públicos e hospitais pode gerar confusão e preocupações. Em alguns casos, medidas foram tomadas para evitar mal-entendidos, como a colocação de avisos nas residências. No entanto, não há registros de legislações específicas que proíbam a entrada dessas bonecas em hospitais ou unidades de saúde em outros países. Mas e aí, qual a sua opinião sobre esse debate?
