Brasília, o ringue das ideias…ou quase

No país do samba, do futebol e do cafezinho servido entre um plenário e outro, Brasília se transformou, mais uma vez, em ringue de pesos-pesados. De um lado, o Executivo, com a faixa presidencial e a calculadora na mão. Do outro, o Legislativo, afiado nas emendas e pronto para bloquear qualquer tentativa de “puxadinho fiscal”.

A treta da vez atende pelo nome de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Sim, aquele tributo que você nem percebe direito, mas que morde cada parcelinha que você faz em seis vezes no cartão. O governo federal, de olho na meta fiscal (e no pavor do mercado), resolveu aumentar o IOF para reforçar o caixa. Afinal, promessa é dívida e déficit, também.

Só que o Congresso não gostou nada da jogada. Num movimento de dar inveja a qualquer reviravolta de novela das 21h, os parlamentares derrubaram o aumento do IOF, no dia 25 de junho de 2025, afirmando que o governo exagerou e passou por cima do princípio da legalidade tributária.

E aí, meu amigo, a briga ganhou novo palco: o Supremo Tribunal Federal. Sim, porque no Brasil, a gente começa com projeto de lei e termina com toga.

Impacto no povo (como sempre): Enquanto lá em cima o pau quebra, cá embaixo o brasileiro continua pagando caro nos juros do cartão, nas transferências bancárias e nos empréstimos. E ainda sem saber se no mês que vem a mordida será maior ou menor. Um vai e vem que deixa o povo com a cabeça girando, e o bolso mais vazio.

 

STF, o VAR da política fiscal

Com o Congresso dizendo “não” ao aumento do IOF, o governo Lula decidiu apelar para o “VAR do Judiciário”, o Supremo Tribunal Federal. Alegou que a revogação do aumento foi inconstitucional. Segundo a AGU (Advocacia-Geral da União), o Legislativo deu uma rasteira no Executivo e desorganizou as finanças do país justo quando a meta de déficit zero está mais difícil que final feliz em série escandinava.

Mas o Congresso rebateu com aquele clássico: “não é bem assim”. Disseram que só estão exercendo seu poder constitucional de barrar medidas que não passaram pelo devido processo legislativo. E que o governo está tentando legislar por decreto, o que, convenhamos, não costuma dar certo nem quando a mãe diz “porque sim”.

Enquanto isso, o STF olha a cena como quem assiste um Fla-Flu sem saber para qual lado torcer. A decisão vai definir quem pode mais no jogo da arrecadação: o Planalto que quer dinheiro ou o Congresso que quer controle?

Impacto no povo (a cereja do bolo amargo): Enquanto ministros discutem jurisprudência e o orçamento vira cabo de guerra, o cidadão comum continua sem saber qual será o próximo tributo surpresa. No fim das contas, tudo vira sigla complicada, mas quem sente mesmo é o CPF no fim da fila. A instabilidade institucional vira inflação, juros altos e desconfiança. E adivinha quem paga o pato? Isso mesmo: o povo. E nem é no Pix.

 

Entre o caixa e a consciência: e o povo no meio

Não bastasse a confusão entre poderes, o pano de fundo dessa briga é o já desgastado sistema tributário brasileiro. Aquele mesmo que cobra mais de quem tem menos, e dá um jeitinho camarada pra quem ganha milhões. Nada como um país onde o imposto de renda da classe média é maior que o lucro das grandes fortunas, não é?

No centro da discórdia está a busca por equilíbrio fiscal. O governo diz que precisa de receita para não cortar investimentos sociais. O Congresso, por sua vez, está de olho nas eleições municipais de 2026 (sim, eles pensam bem antes) e teme o desgaste de apoiar aumento de impostos.

A solução? Talvez uma reforma tributária real, justa, transparente, aquela que o brasileiro escuta prometer desde que o real era novidade. Mas enquanto ela não vem, seguimos assistindo aos poderes trocando farpas como se estivessem em um grupo de WhatsApp da família: cada um com uma verdade absoluta, pouca paciência e zero disposição pra resolver de fato.

 

Impacto no povo (a reprise da tragédia)

A conta chega. Sempre. Seja em forma de corte de serviços, aumento de impostos indiretos ou simplesmente inflação no pãozinho da padaria. O povo, que nunca foi chamado pra mesa de negociação, termina como sobremesa do sistema. Mais uma vez, quem menos entende da briga é quem mais paga pela guerra.

 

Você sabe quanto imposto tem no que você compra? Spoiler: mais do que açúcar no Guaraná

Imagine a seguinte cena: você vai na loja comprar um tênis novo. Escolhe aquele modelo top, com amortecimento, estilo e nome gringo. Preço? R$ 300. Tudo certo, passa o cartão, parcelado em seis vezes (porque ninguém é de ferro), e vai pra casa feliz. Mas… você sabia que quase metade desse valor é só de imposto?

Sim, meu amigo. Quando você paga R$ 300 num tênis, cerca de R$ 140 vão direto pro bolso do governo. O resto? Fica com a marca, o lojista, o frete, o marketing, o funcionário da fábrica e o almoxarifado que empacotou o bicho.

 

Vamos abrir essa caixa tributária?

Veja só os “condimentos” que temperam seu consumo no Brasil:

  • ICMS: o queridinho dos estados. Cobra entre 18% a 25% em cima de quase tudo — de camiseta a carregador de celular.
  • IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados, aquele “brinde” federal que vem junto com o produto (10% no caso do tênis).
  • PIS/PASEP e COFINS: contribuições que ninguém entende direito, mas que dão uma mordida de quase 9,25%
  • E ainda pode vir ISS se tiver algum serviço envolvido (tipo customização ou entrega).

Resumo da ópera: você compra um tênis e leva junto um “pacote fiscal” que financia rodovia, hospital… ou, às vezes, gabinete decorado com mármore.

E não é só no tênis…

 

Olha a média da carga tributária em produtos do dia a dia:

Produto Imposto médio (%)
Tênis esportivo 47%
Combustível (gasolina) 50%
Energia elétrica 48%
Celular/eletrônicos 60%
Alimentação industrializada 25%
Roupa e calçado 45%

Quer dizer: você abastece o carro e metade do valor evapora pro ICMS e amigos. Liga a luz? Quase a mesma coisa. Compra um celular novo? Melhor chamar o banco antes. A mordida é alta, e nem sempre vem com recibo.

 

E se fosse diferente?

Se a carga tributária do Brasil fosse parecida com a de países da Europa (média de 20–25%), aquele tênis de R$ 300 poderia sair por R$ 225. Um desconto de R$ 75, que poderia virar pizza no fim de semana, recarga no celular ou metade do gás (que, aliás, também tá cheio de imposto).

E o mais curioso, o brasileiro nem sempre percebe esse imposto todo, porque ele é “embutido” no preço. Ou seja: a gente paga sem nem ter a chance de reclamar direto no caixa. É o famoso “imposto fantasma”, mas que assombra de verdade.

 

O peso que o povo carrega no carrinho

No Brasil, o sistema tributário parece jogo de videogame: cheio de fases difíceis, armadilhas escondidas e com um chefão que sempre ganha no final, o fisco. Enquanto isso, quem tá no modo sobrevivência é o consumidor, que paga caro, entende pouco e recebe menos em retorno do que gostaria.

Mas fica tranquilo: entender já é um passo. O próximo é questionar, cobrar transparência e exigir que os tributos virem retorno, e não só estatística. Mas e aí, qual a sua opinião sobre este debate?

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