
Se tem um tema que certamente não gostaríamos de tratar em nossa coluna e sequer desejaríamos que existisse é o feminicídio, e enquanto mulheres, nos é doloroso falar, ouvir, e saber que diariamente muitas das nossas são mortas simplesmente por serem mulheres.
Feminicídio é o assassinato de uma mulher por sua condição de gênero, ou seja, por ser mulher. Ocorre com frequência em contextos de violência doméstica, familiar, menosprezo ou discriminação. Previsto no Código Penal Brasileiro como qualificadora do homicídio, é crime hediondo com pena de 12 a 30 anos de reclusão.
Mesmo assim, muitos homens parecem ignorar as consequências, o que reflete as desigualdades de poder e estruturas sociais discriminatórias, frutos de uma sociedade machista e patriarcal.
Geralmente essa violência vem de parceiros ou familiares, em que relações de controle, ódio e posse, se fazem presentes na figura de um homem.
A Lei n° 13.104/2015 inseriu o feminicídio no Art 121 do Código Penal, aumentando a pena para o homicídio qualificado. Sendo assim, ao ser incluído, o feminicídio passou a ter um tratamento penal mais rigoroso, como estupro e genocídio.
O contexto em que o feminicídio se encontra majoritariamente é o doméstico e familiar, com abusos físico, psicológico e sexual, dentro do lar (com maior ocorrência) e também fora dele. Ódio, misoginia, sentimento de posse que o agressor tem da mulher, são algumas das motivações para essa violência, crime.
E muitas vezes, a mulher acaba sofrendo violência institucional, em que o Estado falha na proteção da mulher, gerando forte sentimento de impunidade, e também da cultura e sociedade, que desvalorizam e inferiorizam as mulheres, muitas vezes as culpabilizando, como se fossem as responsáveis pela violência sofrida.
Todo esse cenário impacta fortemente a vida dessa mulher, causando prejuízos muitas vezes irreparáveis no que diz respeito a sua saúde mental. Muitas relatam que é um “eterno reviver a violência…”
Então a necessidade urgente de oferecer a essa mulher serviço adequado e especializado com psicólogas/os e psiquiatras com fins de ajudá-la a ressignificar a própria vida.
E estender esse atendimento aos familiares, lembrando que os filhos também sofrem dessa violência diretamente e famílias são destroçadas..
Verdade, Dani, uma tristeza escrever sobre esse tema! Porém muito necessária se faz essa reflexão.
Além de vermos todos os dias estampados nos jornais esses crimes hediondos, sofremos com os relatos de nossas pacientes nos seus relacionamentos abusivos nos quais ficamos temendo esses desfechos.
Na minha opinião, um dos motivos desses acontecimentos bárbaros é a péssima saúde mental dos homens, como citamos em outro artigo, que não se cuidam devido ao preconceito.
Assim, homens com transtornos psicóticos, com problemas com álcool e/ou drogas e outros acabam cometendo essas barbaridades, e também por estarem inseridos na cultura machista em que vivemos, reforçando ainda mais esse comportamento violento.
O resultado é essa tragédia que na minha opinião para ser sanada precisaria começar por uma boa educação das crianças do que é respeito…Aí sim haveria esperança!
Educadores, pais, mães, tias, tios, avós, avôs, professores e professoras,, todos ensinando e dando o exemplo da igualdade de gênero, para um mundo melhor, com mais amor e com menos dor!
Exatamente, Aninha! Penso sempre na educação como agente transformadora! Uma educação feminista para todas, todos e todes, focando principalmente em nossos meninos, desconstruindo esse modelo machista em que “existem coisas de menino e coisas de menina, cor de menino e cor de menina, assim como também brinquedos e brincadeiras,” que os meninos têm de ser fortes e valentes, mas nunca sensíveis ou sequer chorar ou demonstrar sentimentos… E como você bem disse, ensiná-los o respeito à igualdade de gênero! Pelos Direitos Humanos das Mulheres! Pela Vida de Todas! Nenhuma a menos!
Abraços leitoras e leitores e até a próxima!
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Dra. Ana Paterniani
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Daniela Zampieri
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Sobre as autoras:
Ana Lúcia Stipp Paterniani
Formada médica na USP de Ribeirão Preto
Residência em Psiquiatria e Psicoterapia no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto
Terapeuta Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH)
Trabalha em consultório particular
Daniela Zampieri
Formada em psicologia pela Universidade Metodista de Piracicaba
Especialista em Educação pela Universidade Federal de São Carlos
Psicóloga Clínica com ênfase em Neurodivergências
Promotora Legal Popular atuando no apoio e suporte psicológico às mulheres vítimas de violência